domingo, 19 de setembro de 2010

Sala Branca










Os corpos estão no chão ao fundo ouço uma música que não sei bem se celebra ou sentencia, enaltece ou entristece. Uma voz suave ao longe informa que é para dividir cada um desses corpos ao meio, como se uma linha cortasse, exatamente ao meio, dividindo o que é o lado esquerdo e o direito, assim cada um dos lados passem a ser espelhos um do outro, onde a obediência para com os lados fosse algo que não pudesse ser desrespeitado. Ouve-se mais um comando: na ausência da música estes corpos terão que quebrar, imediatamente, o sincronismo e deixar que os impulsos tomem conta de tal forma que aquele ritmo estabelecido como o espelho quebre-se na hora. Outro apontamento: os corpos busquem uma ligação entre os membros inferiores e superiores (vejo um corpo de um homem que constrói imagens que me desperta a curiosidade é algo que me prende a este corpo de desenhos múltiplos, é como durante um entardecer os pássaros depois de brigarem por árvores para saber onde passarão aquela noite, pousam em um pequeno espaço de galho demarcado e continuam seus desenhos, extremamente sutis que ainda não tinha visto em qualquer outro lugar).

Assim como num estalar dos dedos, todos os corpos já incitados são chamados a criarem seus próprios espirais por todo o espaço. A adrenalina está solta os corpos em brasas, mas, brasas leves, não sei como, mas, mesmo as grandes labaredas parecem suaves começam a andar por todo o espaço...andar não! Não como estamos acostumados a ver pessoas caminhado, não é isso! É uma forma de locomoção de deslocamento qual não estamos acostumados a ver, para uns é como se o mundo estivesse acabando e eles precisassem chegar a algum lugar, já para outros o lema “Correr pra quê”. Uma moça vem do fundo cavando com o seu quadril e com um olhar como se fosse à última coisa que está vendo na vida, um olhar fulminante que prende todos no seu tempo... Uma outra parece buscar algo como nunca buscou, seus olhos estão tão pesados quanto as suas mãos que carregam um peso e a direcionam... Um outro foge cambaleando por todo o espaço... A mesma voz que parece surgir das menores frestas indica que duplas serão formadas, eles interagem e comunicam-se e as mais variadas possibilidades aparecem, eles se inteiram um no outro, eles são espelhos, eles finalizam... Eles são fluxos contínuos...

Um comentário:

Wesley May disse...

Q lindo!!!ótimos momentos com tia Nara...saudade...
Adorei o blog.vou fuçar!!
rs,,bj